Sábado, Janeiro 07, 2012
Moro com dois bichos...
Moro somente por agora com dois bichos. São extremamente diferentes, embora sejam da mesma espécie, mantém hábitos diversificados, com apenas alguns em comum. Ambos são completamente instáveis, emocionalmente danificados. São sangue do sangue, mesmo DNA, um é mãe, outro é filhote, mas sempre que se encontram só sabem se arrebentar. Colocam as garras para fora e sabem o lugar certinho onde o fio vai cortar mais fácil... e mais fundo. Sabem exatamento o que fazer para sangrar melhor o outro, mas depois que algum estiver morto, quero ver se o outro irá sambar em seu corpo morto, como parece se deliciar em nadar no sangue.
Rebecca Isnard 07/01/2012 6:07am
# Rabiscado por Becca Isnard # às 6:09 AM #
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Quinta-feira, Dezembro 29, 2011
Depois de 13 anos de vida, declarei ser emocionalmente independente de parte da minha família.
Com 16 anos, descobri que me consideravam incompleta, pois parte do que era "meu" era mentira, nos olhos de quem.
Com 18, encontrei o que diziam estar faltando, interessante.
Com 20 anos e me arrancam a identidade.
Como se minha vida toda, me enxergassem pelo que está a minha volta, pelo que chamam de "meu" e não de "eu".
Mas chega!
Se você me conhece, se quer estar na minha vida, se quer fazer parte, entenda que você só pode fazer parte de uma relação, entre eu e você.
Porque eu não sou eu e mais 4, 5, 6... Eu sou eu, e se você quiser fazer parte do 7, faça parte dele, e não de mim.
# Rabiscado por Becca Isnard # às 6:27 PM #
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Quarta-feira, Dezembro 28, 2011
Ohos
Sobrou tempo, fui à praça, sentei no banco e fumei um cigarro. um senhor ao meu lado me pergunta qual a marca do meu pseudo-vício, conversamos um pouco - simpático - e depois de um tempo retornamos os dois às nossas respectivas paz, a vista à nossa volta é a mesma, idêntica e completamente diferente ao mesmo tempo.
Eu olhava as árvores, as flores, ouvia a música, sentia o vento e o aroma da natureza, tão confortável. O ancião não via nada, imaginava, se lembrava, sentia saudades enquanto eu pensava no amanhã e em colher as folhas secas para a decoração de Mabon, no Equinócio de Outono.
Aquele senhor não sabe o que é a Wicca, não entendeu a garota simpática e estranha a colher folhas secas e obsoletas do chão do parque, não entendeu seu interesse em folhas mortas e sem futuro.
Mas o que importava, e importa, e que o senhor esqueceu de reparar, é que por alguns instantes, pelo menos, ele largou seu passado e se ligou ao presente, questionando os motivos de um futuro. Durante alguns segundos ele conseguiu ser um organismo idêntico à árvore de onde aquela folha morta havia caído, um organismo vivo. O que ele não percebeu é que estar vivo ou morto, quando homem, só depende do que os olhos de nossa alma enxergam ao nosso redor.
Rebecca Isnard
# Rabiscado por Becca Isnard # às 10:47 PM #
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Segunda-feira, Julho 18, 2011
Qui Diligit
Não pensava em tomar conta de si,
enquanto se preocupava com o mundo.
Esgotou seus recursos em outros,
foi deixada para trás quando deixou de ser útil.
Não culpou ninguém, pois sabia
que raros são os que tem sorte
de saber o que é amor e ainda assim
fazer por onde merecê-lo.
Não guardou rancor de ninguém,
pois era uma dos iluminados
e amava incondicionalmente,
por causa e apesar de tudo...
# Rabiscado por Becca Isnard # às 1:34 AM #
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Sexta-feira, Junho 24, 2011
Espero que entenda a diferença…
entre lágrimas e choro.
Porque o choro do homem é como um grito de socorro, um pedido de ajuda.
Choramos esperando que quem está ao nosso redor venha nos perguntar o que há de errado e compartilhar de nossa mágoa.
O que as pessoas não percebem é que quem está ao redor não liga se você está sofrendo, e por isso chora. Tudo que realmente lhes importa é que você está chorando e fariam de tudo para que
calasse a boca.
(Becca Isnard, 24/06/2011 - 3am)
# Rabiscado por Becca Isnard # às 1:18 PM #
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Quinta-feira, Novembro 18, 2010
When you can't translate...
It wasn't dark, but she couldn't see, all the same.
The wind wispered to her, telling to keep out of the rain.
But the water felt too good in her face she couldn't tell anymore,
If drops of rain or rains of tears,
Couldn't make sense,
Without the use of her ears.
The night was harsh and cruel and the girl
Was lost, uncertain of how to feel;
Blind for light, deaf for prayers,
Alive in skin and taste and breath
And so, so... alight.
She was a rock, but she was flame,
She was amber in two states.
She could taste the air, and smell the earth
and in the next breath, Hell, or the Universe.
She was...Everything.
(Becca Isnard, 17/11/2010)
# Rabiscado por Becca Isnard # às 5:21 AM #
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Terça-feira, Junho 29, 2010
Falando a respeito de uma experiência pessoal e não somente minha.
O texto Ilegível, (A Corrosão do Caráter, SENNETT, RICHARD,) fala sobre o fator fluído, desconhecido e maquinal do trabalho da maioria das pessoas hoje em dia. O trabalhador é uma máquina com livre arbítrio e inteligência natural. Não existe orgulho no trabalho, não existe segurança, estabilidade. Não existe transparência e metódica integral. O trabalhador faz o que é mandado, confiando em máquinas e sistemas de ícones simples, sem realmente saber como fazer o processo com suas próprias mãos. “O trabalho deles é muito claro, e no entanto muito obscuro”.
No exemplo do texto, Sennett comenta sobre uma padaria, onde o processo de produção de pão era tão sofisticado e “high-tech”, que quando o sistema teve sua força desligada, a padaria ficou sem pão até que consertassem as máquinas, pois o padeiro não saberia mais como fazer pão apenas com suas mãos e os ingredientes.
Na minha experiência, esse é meu exemplo:
Me graduei no Ensino Médio e decide escolher o meu período de curso na faculdade para o segundo semestre, achando que precisaria de um longo tempo para descansar e abandonar todo o estresse que havia passado na escola. Mas todos trabalham, todos estudam e logo fiquei entediada de não ter nada para fazer e decidi procurar um trabalho.
Não procurei o trabalho que eu queria fazer, nem o que eu teria orgulho de fazer, não procurei algo pro meu futuro, procurei algo porque estava simplesmente entediada.
Achei um trabalho numa locadora ao lado da minha casa. Foi conveniente, pois não pretendia gastar tempo ou dinheiro com passagens e distância para poder trabalhar. O trabalho não tinha significado para mim além de um modo de passar o tempo e uma “graninha” a mais no final do mês.
Começar o trabalho foi divertido. Era algo novo, interessante. Pelo menos na primeira semana, e foi esse o tempo que levou para que eu me cansasse dele (embora não tenha pedido demissão até o final da primeira quinzena do segundo mês).
Era bem simples. Todas as tarefas eram tarefas de todos. Eu arrumava filmes nas estantes, eu recebia clientes no balcão, eu ajudava na escolha de filmes. Quando os clientes escolhiam seus filmes, eu ia ao caixa e passava as embalagens por códigos de barras na conta de cada assinante da locadora e o sistema automaticamente me dava o preço final da compra, com dívidas, créditos, promoções... Eu não precisava saber como funcionava o sistema de precificação, ou quais eram as especificações das promoções, se algum cliente devia algo, ou não. O sistema fazia tudo por mim e eu apenas comunicava o resultado, perguntando específicos de pagamentos e devoluções. Quando retornavam os filmes, era a mesma coisa, e o sistema automaticamente identificava através do código de barras que o filme estava novamente em estoque. Eu trabalhava, mas não tinha orgulho no meu trabalho. Quando saí, outra pessoa entrou em meu lugar, e aí está a experiência de todos, porque esta pessoa também não se manteve no local muito tempo, um dos que já trabalhavam lá comigo, saiu logo depois de mim.
E foi com essas e outras observações do mundo que reparei que a minha experiência não é só minha e não será única. A maioria das pessoas vivem trabalhando na maioria das vezes, com algo que não pretendem fazer pelo resto da vida, ou algo que não faz parte delas, mas é apenas o seu modo de se sustentar, e quando as pessoas acham o trabalho de que gostam, fazem de tudo para mantê-lo, mas ainda assim temem serem substituídas, pois hoje em dia você não é o seu trabalho. Mas alguém que aprendeu o que precisava para fazê-lo.
REBECCA ISNARD
(PUC-Rio - Design - Mídia Digital)
# Rabiscado por Becca Isnard # às 11:40 AM #
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Até onde a Ubiquidade seria provável?
Na aula de psicologia lemos um texto chamado “Vida Líquida” que discursava a respeito da necessidade de controle do ser humano. Aparentemente a nossa sociedade atual é tão instável e volátil, que nós tentamos inconscientemente ou não controlar, o máximo possível, tudo que pode e não pode estar dentro do nosso controle.
Eu não sei até onde essa teoria se estende sendo verdade ou não, mas para mim ela faz sentido, porque eu sou assim, e é por isso que não acredito na "Nuvem". A idéia de que em breve todos os nossos dados, pessoais ou não, estarão disponíveis na rede de tal forma que seria dispensável a utilização de hardwares de armazenamento pesado, é abominável, e surreal. Não acredito que o homem possa abrir mão do controle que ainda possui sobre sua vida, e com as redes sociais, podemos ver qual o potencial do perigo que a internet representa para a privacidade de cada um.
A internet provavelmente continuará o caminho de se expandir por cada vez mais mídias, e fornecer cada vez mais utilidades (ou inutilidades), mas mesmo que um dia o serviço de armazenamento online vire moda, não acredito que vá durar, porque não é a natureza do ser humano sentir-se confortável com total dependência e vulnerabilidade.
REBECCA ISNARD
(PUC-Rio – Design – Mídia Digital)
# Rabiscado por Becca Isnard # às 11:38 AM #
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Segunda-feira, Maio 03, 2010
There must be a limit to sadness... I'm just so sad i didn't get there yet.
# Rabiscado por Becca Isnard # às 9:47 PM #
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Terça-feira, Março 02, 2010
Aparição
Era uma lenda local. A donzela de beleza jamais vista, habitava o canto mais tenebroso da floresta proibida. Dizia a lenda que seu canto trazia lágrimas a qualquer criatura que o escutasse, e que até os pássaros choravam de seu próprio modo, torturante e destorcido, à canção da menina.
Ninguém entrava na floresta, pois era habitada por animais selvagens, e o sinal de perigo jazia nas entrelinhas escritas entre o perímetro cercado a arame farpado e o discurso dos habitantes da vila. Mas então um grupo de garotos visitava as redondezas, e sem tempo de ouvir nada mais que o silêncio, decidiram romper o arame e se aventurar nas sombras da floresta proibida, sem nem ao menos saber que encontraria a menina perdida.
Através do véu do crepúsculo, que a chegada da noite trazia consigo, e do ruído estrondoso que a natureza a sua volta fazia, os garotos podiam ouví-la. E não sabiam se era canto ou se era choro, apenas de duas coisas sabiam, seus olhos estavam cheios de lágrimas, e seu coração, naquele momento se partia.
Seguindo a voz até o ponto mais escuro da floresta, a treva já dominava o céu, onde apenas uma lua sumida, dormia solitária. Encontraram um rio e naquele rio manchado de vermelho, encontraram uma luz. Com seus olhos se adaptando, perceberam a luz ser uma menina, tão bela quanto a Deusa seria, e perceberam o vermelho da água a sua volta, ser sangue, que corria de dois cortes em seus pulsos repousados na água. Preocupados foram até a donzela, e fecharam suas feridas, a carregaram agora calada, para a clareira mais próxima que encontraram.
Quando a menina acordou, seus cortes estavam sonados, e um sorriso iluminou seu rosto. Os rapazes suspiraram de alívio mas se calaram em seguida, pois da boca da menina, flutuava com alegria o som mais bonito, que trazia a suas mentes, não mais tristeza, mas nostalgia.
Ouviram seu canto por um bom tempo, até que a nostalgia deu adeus e eles só admiraram. Mas como todo homem que admira, desejaram, e então foram caçar sua recompensa. A menina foi contrária, e a calaram. Com a parte do pano que sobrou do seu vestido destroçado.
Quando a selvageria acabou, e seus instintos mais primordiais se esvaíram, olharam para o leito de seus pecados, e naquele leito viram uma menina sem vida, e sem um vestido. Correram alarmados e decidiram tacar o corpo no rio, esperando que sua corrente a levasse e sumisse com as evidências, e suas consciências. Mas o corpo da menina flutuou, e flutuou no rio que manchado de vermelho, tornava a visão repulsiva, e nada poderia ser pior do que olhar para o corpo sem vida. Mas da carcaça e de suas feridas, algo preto começou a escorrer e esvair, manchando a água do rio e substituindo cada ponto vermelho por preto. Sangue preto, e agora sim a visão da menina era hedionda.
Correram e correram, mas um deles parou e ficou quando tudo que existia a sua volta, e todos os barulhos que antes eram abafados pela indiferença gritavam e os repudiavam pelos seus tão recentes pecados. E o garoto chorou. Mas por ser homem, por ser humano, não chorou pela menina, ou pelo que fez, chorou pelo fim na inocência e pela escuridão de seus corações. E aí então, a cena era não só repulsiva e hedionda, mas era insuportável.
Rebecca Isnard 02-03-2010
# Rabiscado por Becca Isnard # às 1:44 AM #
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Quarta-feira, Outubro 07, 2009
Espreme e sai sangue
Alguma coisa de errado tem com a sociedade! A partir do momento em que um jornal vende, porque vende tragédia, que esperança podemos guardar?
Ele abriu o jornal, leu as manchetes, buscou os acidentes, buscou as mortes, viu sobre a menina jogada no meio da rua, leu sobre a infante, recém estuprada, que sofreu um aborto, leu sobre os líderes do seu país, corruptos e farsantes e sem parar e sem nenhuma expressão, continuou a folhear; folheia notícias inúteis - novas tecnologias, sucessos de carreira, novas instituições de caridade - e pára para prestar atenção no caderno de esportes.
Lê sobre a torcida que tacou pedra no ônibus, do jogador que levou uma rasteira e deslocou o joelho. Finalmente lê sobre o seu time, que perdeu, e comemora a derrota com um palavrão e um soco na parede.
Passa para o caderno erótico, talvez vá se satisfazer, olhando as fotos de alguma garota perdida. No corredor ouve os passos da mulher, fecha o zíper, fecha o jornal, vê algo escorrendo. Espreme, sai sangue.
Ela estava voltando do curso, viu uma pessoa, uma mulher, se jogando de um prédio. Silencia-se por ela, reza por ela e derrama lágrimas por ela, sempre percebendo a semelhança com a recém falecida e seu reflexo no espelho. Descobre que talvez devesse estar feliz por estar viva, mas passa o dia revendo a cena em sua cabeça, lamentando por ela, lamentando por si mesma. Temendo por si mesma.
Na noite, pede a companhia de um amigo para ir numa festa, no Leblon. Chegou, dançou, bebeu um drink inventado - não gostou - e ruim. Pegou a garrafa de licor de menta, puro, na cozinha, deixou pelo menos parte de seu corpo atordoado, - a mente - era agradável. Então dançou com mais força, com mais energia, e se perdia no movimento, se perdia na batida, na melodia.
Perdeu-se também, nos lábios do garoto de cabelo vermelho, e depois, também, nos lábios da amiga dele; depois nos lábios de um ex-ficante, e depois nos braços dos quase-namorados, aquele casal de cabelo preto, dele, curto, dela, com franja, e aquela blusa do Jack Daniels. A dormência vai esvaindo e quando o efeito da bebida passou, ela precisou de alguém para desabafar.
Chamou todos os lábios e pediu por seus ouvidos. Contou sobre o anjo caído da manhã (que agora parecia tão distante). Dos comentários seguidos, apenas um ecoou em seus ouvidos. O garoto ficou exaltado, quase entusiasmado, seus olhos brilharam enquanto ele perguntava como havia sido e se vira muito sangue.
Virando para o garoto ela falou que sim, tinha visto muito sangue. E enquanto dizia isso, pensava que era muito triste tudo aquilo, porque provavelmente, ninguém nunca iria se importar com os motivos que fizeram aquele anjo tombar de um prédio. Talvez ninguém fosse se importar, também, quando seus motivos fossem o bastante para se jogar de um prédio. Tentou contar e perceber se já era o bastante.
Todos se calaram, mas o garoto absurdo ainda ria, e ela se despediu dele derramando uma última lágrima de sangue pela esperança perdida na sociedade.
Rebecca Isnard
# Rabiscado por Becca Isnard # às 10:55 PM #
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Terça-feira, Agosto 04, 2009
Veneno Escorre
Deixei-me contagiar por teu veneno tempo demais. Nem um pouco digno de mim, deixar escorrer em meus lábios o mesmo veneno que provei em teus. Não vou mais me rebaixar a algo pútrido como tu. Sou melhor, sou superior a ti e vôo alto enquanto tu rastejas.
Podes agarrá-lo e tentar mantê-lo para ti, mas não te enganes. NUNCA permitirei que o arraste contigo, não para tão baixo como é o inferno em que tu vives. Ti, tenho em mim com pena. Pena de tudo de bom que passa ao teu lado e não percebes; pena de tudo que tenta arrastar contigo e te foge. Pena de ti, pelo que te vês obrigada a fazer para te sentires feliz. Pena do nojo que eu e sei de mais vários, sentimos ao olhar para a tragédia que é tua existência.
E podes ser a cobra que desejar, sempre vai ter um veneno correndo em ti, escorrendo de tuas presas. Podes até escolher fingir ser algo que não cobra, e ainda assim poderei sentir o azedume se provar de teu beijo.
E posso provar de teu beijo, pois não fazes questão de reservá-lo a ninguém. E é por isso também que não recebestes asas, coitada. Continuará sendo cobra, continuará sendo venenosa. Enquanto eu vôo linda, borboleta, livre.
Continua rastejando atrás de minha felicidade e da felicidade de outros, torço para que aprendas que felicidade vinda da quebra do coração de um, nunca será verdadeiramente tua. Experimenta-a pelo segundo que pensa que te pertence, porque irá se esvair e tu irás voltar a rastejar, e desta vez, não terá felicidade sendo perseguida, pois irás rastejar em fuga, fugindo do buraco negro que tuas ações criam em tua vida.
Rebecca Isnard
(04-08-2009)
# Rabiscado por Becca Isnard # às 11:41 PM #
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Quinta-feira, Julho 02, 2009
Perdi noção de quando comecei a esconder minhas cicatrizes.
Perdi noção da época em que não me importava de mostrá-las.
De onde vim, o que já aconteceu comigo... É irracional. Escondo cicatrizes que são parte de mim, meu passado encrustado em minha pele, se espalha, piora, melhora. Dói. Mas agora quase ninguém as conhece. Porque olhos me incomodam.
Porque nós devemos ter vergonha de marcas. Mas de que tipo de marcas? Um adúltero é visto como qualquer outro. Não tem marca em seu corpo que conte sua história, não tem porque ser julgado, repudiado. Um pedófilo não tem marca. Ou se eu matei alguém, roubei algo, se eu menti, se fui causa de sofrimento, fui vil, inescrupulosa e nojenta. Quem não me conhece não me julga, não me olha, não se enoja. Claro, se eu não tivesse marcas.
Mas eu as tenho, e eu sei que houve uma época em que não me importava de deixá-las à vista. Abra seus olhos olhe em volta e seja feliz. Talvez não fossem tão significantes, ou tão dolorosas. Mas andava livre, era julgada, era dissecada em olhos de estranhos, de conhecidos, de familiares. Então põe o véu sobre os olhos e esconde as lágrimas. Ninguém precisa saber que você chorou, ou que cometeu um adultério, um assassinato, ou que sofreu. Que sofreu na carne, e nunca desapareceu, mas pelo contrário, se estabeleceu e ficou.
Desde quando a dor de ser vista é tão grande. Sinto olhos em mim e me sinto nua. Roupas não são o suficientes. Não me julgam por nada, mas me julgam por qualquer coisa...aparente. Malditos olhos.
*TEXTO AMADOR INTERROMPIDO POR UM MOSQUITO DE OITO PERNAS ><*
# Rabiscado por Becca Isnard # às 3:51 AM #
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Quarta-feira, Julho 01, 2009
"Hoje eu vi a mulher mais linda que os meus olhos já encontraram."
# Rabiscado por Becca Isnard # às 6:52 PM #
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Domingo, Junho 07, 2009
Sonho um, vivo o outro, e não mais sei qual é a realidade.
Troco dias por noites, e tardes por noites, faço um dia em mais horas, ou menos.
Não mais me guio pelo sol e nem sequer sinto quando este nasce, embora esteja sempre de olhos abertos.
Não me guio pelo sol e nem sequer sinto quando este nasce, mas sempre que procuro, vejo a Lua.
Perdida entre sonhos e realidade, não sei viver meus dias sem querer chorar um pouco. Odeio olhar para trás e não enxergar
nada. Odeio olhar para frente e não ver o horizonte.
Gosto da luz, mas a luz me cega. Não olho o claro sem ficar tonta de dor, e a falta do claro, me trás às trevas.
Meu mundo agora está sombrio, e o único momento de luz é quando volto para casa, na matina, amanhecendo, sem sol.
No meu mundo lilás e roxo, não tem janelas.
Alguém me diz o que fazer para me livrar das trevas sem que a luz me cegue?
Alguém esteja do meu lado para saber o suficiente e me dizer o que é sonho e o que é a minha vida!
# Rabiscado por Becca Isnard # às 8:27 AM #
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